Muçulmanos interrompem culto em igreja perseguida na Indonésia
- 24/07/2026

No último domingo (19), uma multidão de muçulmanos interrompeu um culto e forçou o fechamento de uma igreja na Indonésia.
O caso ocorreu na Igreja Pentecostal do Tabernáculo de Cristo da Resposta (GPT) em Medan, província de Sumatra do Norte. Os extremistas alegaram que a congregação não possuía licença para utilizar o prédio como local de culto.
Em um vídeo, é possível ver a igreja cercada por moradores que gritam e interrompem o culto.
Nas imagens, vários cristãos deixam o local por causa da hostilidade da multidão, entre eles um idoso em uma cadeira de rodas e uma idosa que caminhava com a ajuda de muletas.
Eles precisavam ser levados até o segundo andar do prédio para participar do culto, já que o primeiro foi considerado "inadequado" pela multidão.
Segundo o International Christian Concern (ICC), a igreja tenta obter a autorização para construir e utilizar o templo há quase nove anos, mas tem o pedido negado pelas autoridades repetidamente, sem receber uma justificativa clara.
Desde 2017, a congregação vem cumprindo as exigências legais. Naquele ano, os cristãos compraram um terreno para construir o templo e parcelaram o pagamento em duas parcelas.
Tempos depois, após o acesso ao terreno ser bloqueado, a igreja precisou adquirir uma área vizinha por cerca de 280 milhões de rúpias indonésias (aproximadamente US$ 16 mil).
A igreja enfrenta anos de repressão
Ao longo dos anos, os líderes da igreja apresentaram toda a documentação exigida pelas autoridades locais e também solicitaram recomendações do Fórum para a Harmonia Inter-religiosa (FKUB), órgão responsável por analisar pedidos relacionados a locais de culto.
No dia 5 de março deste ano, os líderes participaram de uma reunião de quatro horas com integrantes do FKUB, da Agência de Unidade Nacional e Política e de outros órgãos do governo.
No entanto, o encontro terminou sem uma decisão concreta. As autoridades apenas prometeram realizar uma inspeção no local, sem definir se a igreja receberia a autorização.
De acordo com o ICC, a maior parte dos moradores da região apoia a construção do templo. Apenas um grupo de residentes muçulmanos contesta o projeto desde o início do processo.
Dedy Mauritz Simanjuntak, presidente do Conselho Cristão da Indonésia (MUKI) na província de Sumatra do Norte, criticou a demora na resolução do caso e afirmou que a falta de uma posição firme das autoridades acaba incentivando novos episódios de intolerância religiosa.
Segundo ele, o processo costuma seguir o mesmo padrão: as licenças ficam paradas por anos, os cultos acabam sendo impedidos e os responsáveis por interromper as reuniões raramente são responsabilizados.
“Nove anos não é um tempo razoável. Todo esforço deve ter um fim. Um grupo de pessoas não pode governar o país. A Constituição não pode ser derrotada por acordos que só beneficiam certas partes”, declarou ele.
Sobre o caso, o prefeito de Medan, Rico Waas, afirmou: “Ninguém deve ser discriminado nesta cidade". Porém, a congregação segue enfrentando dificuldades para realizar os cultos há anos.




